Outrora os pés moviam-se em torno de uma mensagem simultaneamente escura e cristalina, moviam-se em busca de um ideal. Éramos assim, dávamos uso ao vigor físico que a tenra idade nos proporcionava.
Que somos agora? As mãos movimentam-se debilmente pelo chamado progresso tecnológico, sem um objectivo, desfrutando apenas de um ócio que, antagonicamente, nem traz qualquer prazer. O único ideal é a imagem do ser que, por qualquer razão frívola, deveríamos encarnar. Não só um reflexo físico, mas também social: toda a pessoa deve ser importante, não possuir um segundo de tempo livre, ter em mãos uma lista telefónica grande e de uso frequente… É assim a juventude dos dias de hoje.
E sinto que não lhe pertenço. Uma mera repetidora de ideias, esta juventude, onde a saída do Sábado passado tem mais mérito do que ler um livro internacionalmente reconhecido. Onde o sinónimo de inovação é aquele aparelho que está nas lojas desde as últimas vinte e quatro horas. Onde tudo tem um preço.
É com embaraço que descrevo os meus contemporâneos, cuja viga de que são feitos deixam coradas as anteriores gerações de revolucionários, lutadores, sonhadores! Para eles talvez seja eu o borrão de toda esta estória, todavia interrogo-me: Como é que é possível enquadrar-me nesta tela onde é preferível ser ignorante a culto?
Pois bem, talvez os ignorantes sejam mais felizes (no sentido mais irracional da palavra), mas como comparar essa “felicidade” com a satisfação do conhecimento? Cadê do progresso humano?
1 comentário:
A ignorância trará felicidade.
Muitas vezes aparente.
Mas acreditem numa coisa.
Quem escolher o outro caminho, oposto ao da ignorância, só terá alguns anos de infelicidade maior. Depois, depois, a felicidade sorri.
E digo-vos, é muito mais sorridente do que a de qualquer ignorante.
Cumps.
Roberto F. A. Simões
CINEROAD - A Estrada do Cinema
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