08/11/2008

Homicídio




O tempo pode ter apaziguado a dor, mas não apagou o rancor. Sinto-me terrivelmente tentada a cometer uma loucura, loucura essa da qual o teu sangue será o pano de fundo. Fazes-me ser tão cruel! Como pode o ódio tomar estas proporções?!
Ainda não consigo controlar as lágrimas. Já passaram cinco meses e ainda sinto cada bofetada tua! Como pudeste exercer tamanha insensibilidade sobre mim?! Não terei eu o direito de ser humana aos teus olhos? Porquê? Bolas, PORQUÊ?!
Odeio-te! Odeio-te! Odeio-te! Odeio-te! Odeio-te! Desaparece de uma vez por todas da minha vida!
Não me conseguirás agora fingir umas palavras doces de ânimo, como todas as outras mentiras que me sussurraste? E aquele telefonema… Um tímido “acho que gosto de ti” que me entrou pelos tímpanos como uma doce melodia que me arrepiou, que me deixou rendida! Frágil, fiquei tão frágil! E a vida, de repente, ficou tão fácil! Eu brilhava, eu rejubilava! Sabias que era cega por ti? Fazes ideia do quanto fantasiei contigo? Eras tudo para mim, tudo!
Num ápice, numa só noite, tudo mudou. Fazes de mim um monstro. Tornas tudo em mim tão incoerente, tão ilógico! Fazes de mim uma assassina!
Às vezes sonho que tudo volta ao início, que volto a preencher folhas de papel exclusivamente com o teu nome. Por que não me consigo separar da tua memória? Desaparece, desaparece!
És um pedaço de esterco, e eu não fui a única que afastaste. Já ninguém te quer. Quero-te ver tão mal, tão mal! Força, bate com a cabeça na parede! Sozinho, isolado de todos! Sofre, para sentires o que eu senti! Chora, para veres quantas lágrimas derramei! Morde as tuas mãos com toda a raiva que inunda o teu espírito, para tocares nas cicatrizes que eu ainda não consegui sarar! Por fim, leva a faca ao teu ventre. Penetra-a bem, com tanto prazer como da vez em que a fizeste gemer! Fecha os olhos e ri-te, como o falso sorriso que esbocei quando as tuas façanhas me invadiram o encéfalo! Agora, pára de respirar. MORRE!!!

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